sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Montanha Russa Climática

Vilhena, Junho/Julho/Agosto de 2014.



No princípio ficamos num hotel, Majestic! até o circo ficar montado e irmos pra lá. Procurei um bosque, mas não consegui informações confiáveis... então fomos procurando opções viáveis que eram lugares onde eu conseguisse ir a pé ou de ônibus, o que me deixava a pé mesmo porque ônibus era raridade. Estávamos em frente à um shopping, flora brincou algumas vezes no "espaço kids" de lá, mas é sempre aquele lugar artificial. Além disso, havia um aquário num pet shop... a gente ficava olhando que nem televisão de cachorro e era lá que fazíamos as compras de supermercado. Também tínhamos o parquinho da rua de trás do hotel e ainda podíamos passear pela cidade com o carrinho de Flora rastreando outros parquinhos!

Ficar no hotel estava me estressando demais... mas quando fomos para o circo com as nossas barracas, melhorou bastante, fiquei mais tranquila... Flora brincava mais livremente e tínhamos experiencias mais legais, como ter espaços móveis de brincadeiras e poder pintar mais livremente. Ainda fomos algumas vezes no rio Piracolino, num balneário com tanques de peixes ao redor e com a água bem geladinha... 

Esta cidade também tem o clima bem variável, com mudanças bruscas de temperatura e pegamos entre 15º à  30º e poucos. Assim, de repente descia uma nevoa na cidade e ficava frio do nada... mega estranho! Foram três cidades com esse clima: Primavera do leste, Comodoro, mas aqui com certeza a variação climática foi maior... o frio sem chuva! Coisa inédita no litoral Natalense. Depois dessa tirei de vez a dúvida sobre Flora ser uma viajante nata, ela passa pelos climas com uma naturalidade impressionante como aquelas pessoas que amam montanhas russas... e ainda levantam os braços e gritam de êxtase! Afff








segunda-feira, 16 de junho de 2014

Tchau Centro-Oeste

Comodoro, Maio e Junho de 2014




Quando chegamos havia um rodeio na cidade... não fomos! Mas Flora curtiu muito ver o helicóptero que estava fazendo voos fretados para a população ver a cidade lá de cima, ele fazia parte do evento, e estava na entrada da cidade. Só que não fomos nenhuma vez... Por que? Não vi necessidade e não foi porque eu tenho medo de altura... :P

No início ficamos num hotel bem legal com um café da manhã demais e nós voltamos lá no meu aniversário para matar a vontade. Logo depois fomos para uma casa, de madeira, bem fofinha e a Flora se sentiu tão a vontade nela que decidiu não usar mais fralda (mas o processo não chegou ao fim, terá post sobre esse assunto). 

Enquanto isso, o circo demorou bastante para ser montado nesta cidade... por causa do rodeio e também por causa do mau tempo. Não me lembro quantas frentes frias pegamos, mas elas eram de bater o queixo e de sair atrás de meias em qualquer loja, sensação térmica de 10° e sem chuva, eu só acredito porque estava lá. Eram frentes frias órfãs... assim, chegavam e em três dias voltava o calor de mais de 30º! Flora passou por elas numa tranquilidade... Ok, nós realmente somos fã de um friozinho.

O tempo foi passando na velocidade da luz... e entre idas ao parquinho da praça da Bíblia, passeios pelas ruas de Comodoro e alguns dias de espetáculos, já era hora de ir. Nos despedimos de Mato Grosso com um pôr do sol esplendoroso, visto da janela do carro que a palhaça dirigia... e fui me lembrando dos parquinhos mil, das praças de jamelão, das araras voando sobre nossas cabeças em plena cidade, dos rios, das cachoeiras, da aldeia visitada e das pessoas que ficaram lá e que deixaram um pouquinho delas em mim e em Flora... Tudo isso é bem Mato Grosso!





quinta-feira, 29 de maio de 2014

Minha parte Caverna


Blogagem Coletiva "O Brincar" da Aliança pela Infância.

"Quando eu era criança, eu gostava de brincar de...


...de desenhar.  E eu sempre tinha por perto lápis de cor, papéis e caixas de papelão, mais o lugar mais que legal de todos era a parede. Eu amava desenhar na parede e eu não me lembro de ter sido censurada ou posta de castigo por isso... estranho. Minha mãe é daquelas bem nervosas... e mesmo assim, eu não lembro que ela tivesse brigado comigo por desenhar na parede.

Mas ok, a época que eu mais lembro de ter desenhado na parede,  foi quando eu tinha uns cinco anos e nós morávamos num barraco/palafita em Santos, São Paulo. Eu desenhava histórias inteiras com personagens e falas na parede do barraco todo. Será que era porque estávamos num barraco? Acho que sim. Não havia preocupação em deixar a parede "limpa" . Só sei que alí eu passei os momentos mais felizes que eu lembro da infância.

Depois, eu levei aquela felicidade para os cadernos da escola. Desenhava no final de cada lição e nos cantos do caderno. Com o tempo eu fui deixando cada vez mais de canto... Até que parei e agora nem lembro quando. Eu retomo, ou melhor, recomeço com Flora com seus dois aninhos. Ela tem sempre papel, giz e lápis por perto e eu coloco papéis na parede também. Estou sempre junto e desconfio que me divirto mais que ela! As vezes, eu descuido e ela risca a parede... aí eu lembro de mim, criança.

Por isso,  eu não posso brigar com ela. Eu sei o gostinho. Mas eu sempre digo: no papel, Flora. E num é que ela volta para o papel. Se a casa fosse minha eu deixava ela pintar nas paredes? Agora fico pensando nisso.  Pergunto para o marido aqui do lado e ele olha para cima e diz: Ela ia poder, mas depois a gente passava uma tinta incolor conservativa para posteridade!

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Vem Cá Juína!

Juína, Abril de 2014.



Primeiro passamos uns dias num hotel chamado Cabo de Aço, era perto da rodoviária e foi lá que comecei a escrever este bloguinho.. Foi um bom tempo... de café com leite e pão com margarina no café da manhã... escrevendo na mesa comum a todos os hospedes enquanto Flora dormia. Logo depois fomos morar no circo, pela primeira vez moramos no circo a praça* inteira! Foi maravilhoso e complicado ao mesmo tempo, mas sobrevivemos... : D  

O circo continuava cheio de perigos e tínhamos que estar sempre atentos com Flora. Como sempre subir o mais alto que ela puder era de longe a brincadeira preferida, a segunda era dançar... aí eu levava ela pro picadeiro e alí ela dançava e imitava partes dos números do espetáculo com o papai, comigo, com o Mágico Jack e com Yuri, o trapezista, que veio passar uns dias conosco. Foi no circo, durante este período, que Flora começou a pedalar o seu primeiro velocípede. Também busquei manter ambientes mais acessíveis a Flora, com uma mesinha de trabalho de papelão onde ela pudesse pintar e ter um espaço móvel dentro do circo. 

Mas nem só de circo eram feitas nossas brincadeiras... Em Juína ficamos numa área de eventos bem central e tínhamos como vizinhos um ginásio de esportes, uma biblioteca e um bosque, com direito a araras livres o que era bem legal... só que ele estava um pouco abandonado, então tinha muito lixo por lá... mas é um bosque com um grande potencial. No ginásio pudemos nos familiarizar com o futsal, bom, pelo menos por alguns minutos até ela só querer subir e descer as arquibancadas sozinha ou com amiguinhos instantâneos. Já na biblioteca... ahhh a biblioteca... foi nossa grande amiga, mais que isso uma mãe mesmo! Ela tinha uma brinquedoteca e passamos umas manhãs e tardes por lá... ainda peguei emprestado uns livros** que lia (com carteira de sócia e tudo!!!) nas sonecas de Flora. Outro espaço de brincadeiras era o parquinho da praça central... apesar de alguns brinquedos quebrados era um bom lugar. 

Foi uma cidade muito legal de ficar com Flora, mas já quase perto da mudança a própria Flora já perguntava de outra cidade... 

Agora vou deixar diálogos mamaflorísticos e pérolas que consegui registrar:


Flora vendo os tocos das árvores...

 -O que é isso mamãaaae? 
 -Era uma arvore aí cortaram e...
 -ahhhhhh... Tadinhaaaa

Como explicar isso??? Eu tentei... 

Depois foi com um espaço gramado que não tinha grama...

 -Cadê a Grama mamãaaae? 

A morte tem fascinado  a Flora... em busca de saber ou entender, sei lá! É muito bom poder (ou tentar) explicar o que ela busca através da exploração da cidade. Falando em cidade... 

Flora vendo uma foto:

 - Parquinho mamãaaae?

 - Não... (meio que tentando entender a foto... digo que é uma cidade).

 - Pá botá cico? ( ela quis dizer: Para botar circo? :P)

Super entrosada com o universo circense!!!! e lá fomos nós...


*lugar da cidade onde o circo é montado por um período.

**os livros foram estes: O sofá estampado, Lygia Bojunga Nunes; A revolução dos bichos, George Orwell e Complexo de Cinderela, Colette Dowling. Peguei o Mansfield Park da Jane Austen, mas não consegui ler. 

segunda-feira, 31 de março de 2014

Como dizer Adeus!

Brasnorte, março de 2014.



O circo ficou em frente à Câmara Municipal e o terreno era todo gramado. Foi a cidade em que Flora e eu mais nos apegamos às pessoas. Com as crianças do departamento de cultura passamos tardes divertidíssimas. E o fato de ter crianças entre essas pessoas não é mera coincidência,  ter crianças na vida, deixa muitas pessoas mais sensíveis, mais próximas, quase empáticas! Fomos à segunda aldeia do Mato Grosso, a Cravarí (vai ter post sobre...)

Mas houve quatro crianças mais chegadas, com idades entre 2 e 11 anos... Emile,  Diogo, Giovana e Isa. Eles passaram algumas manhãs, tardes e até espetáculos brincando. Flora e Isa se tornaram amigas, como só crianças de dois anos sabem ser, trocavam sempre de sapatos, arrancavam grama para jogar ma cabeça uma da outra, se penduravam nos mastros , corriam pelo circo, assistiam e imitavam o espetáculo. Mas também brigavam muuuuito. Por brinquedos, por sapatos, por nada!

Então eu fui me deixando levar pelas conversas, pelos almoços e as tardes com as crianças no circo que nem vi o tempo passar... Já era tempo de dizer adeus, mais uma vez e desta vez para Flora não foi tão fácil. A saudade ficou no coraçãozinho dela. Aquela lembrança diária... pergunta sempre, mas cada vez menos (o tempo o senhor dos destinos) Cadê Isa? Chamou, dia desses, uma boneca de Isa... Dá uma dorzinha no coração. Mas lidar com perdas não é o que nós fazemos o tempo todo? Nessa viagem circense há uma lente de aumento em algumas situações e nos sentimentos também.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Desafios, desaforos e solidão com fritas

Campo Novo do Parecis, Janeiro e Fevereiro de 2014.



Passamos mais tempo em Campo Novo do Parecis, mas nem pareceu, foi um período muito bom. A cidade tem um grupo de teatro que se juntou ao circo enquanto estávamos por lá e isso rendeu alguns laços de ternura que com o tempo e a distância foram se dissolvendo... é triste mais é real... não falo de Flora, falo de mim... Flora apenas viajava, sem nenhum esforço, penso eu. Mas realmente não vi, nem percebi ela sentindo falta de pessoas ou de espaços/ambientes, além do circo... por enquanto. Foi aqui nesta cidade que fomos à primeira aldeia, a Bacaval (vai ter post sobre...)

Ficamos, Flora, Pacelli e eu morando perto do circo, na verdade, nossa paisagem da janela, bem no cantinho, era o circo que estava numa grande praça com árvores de Jamelão e outras menores de manga, nos esbaldamos no jamelão. Do outro lado da praça, na esquina, tinha uma padaria que virou um ponto de encontro matinal e vespertino da galera do circo. Em relação à vida artistica de Flora, ela avançou muito nas imitações dos artistas. Ela imita as bailarinas, o pirofagista Hyou Drako, o mágico Jack e os palhaços Espaguete e Ferrugem, além de seguir amando o trapezista Yuri Saulo. Por isso, não por acaso, ela preferia muitas vezes ir ao circo do que ao parquinho.

Diálogo mamafloristico:
-eu: Vamos pro parquinho! (toda feliz para enfatizar a importância)
-Flora: Paquinho fechado mamãããe! (com todo o poder da argumentação)
-eu: hã :o... Está aberto Florita!
-Flora: Fechaaaado mamãããe... Quê cico!
Aí fomos para o circo...

Explico: em Campo Novo do Parecis o parquinho da praça central abria as 16:00 e fechava as 22:00... sempre que ela pedia para ir no parquinho e eu tinha que dizer... a verdade, né?

Mas nem por isso fomos menos no parquinho. .. íamos muito! Tanto no de chão cimentado, quanto no de terra. Ela conseguiu superar o medo de túneis e os parquinhos eram mega completos, para meus padrões. Mas este parquinho trouxe outros desafios para mim também.  Foi lá que ela levou o primeiro tapa de outra criança e  ficou com aquela carinha de "por que?". Eu só pude ver de longe e sair correndo para salvá-la e fugir o mais rápido possível,  levando um desaforo do tamanho "dum elefante" para casa. Eu sei, eu sei,  eu tive culpa! Eu deixei a situação chegar no limite, pensei que elas iriam se entender... crianças se entendem. Que nada! Flora ainda é pequena demais e só abraços e seguidora dedicada, as vezes, outras crianças não aguentam, ficam chateadas e se estiverem numa turminha, ainda mais. Então comecei a ficar mais atenta e à instruir Flora como proceder em alguns casos.

Segundo uma irmã minha, mãe de dois, temos que agir observando duas situações: uma com crianças conhecidas e outra com desconhecidas. Como não havia crianças conhecidas por perto eu  não podia deixar o estramento entre as crianças e Flora se prolongar e interferir rápido. Mas, felizmente, eu não tive mais problemas com isso. Conversei com Flora e disse que quando alguém batesse nela e dissesse que não pode e que se afastasse. Isso resolveu por um tempo.

E a solidão? A minha solidão foi alimentada com batata frita, depois estávamos nós duas comendo fritas e logo depois a solidão me devorou inteira!
E foi assim,  quando me vi, estava tão sozinha e com problemas tão meus e que ninguém mais entenderia que eu não tinha como reclamar,  mas eu reclamava!!!  Pacelli escutava ora pacientemente, ora sem entender nada... e eu sentia que quando saiam palavras da minha boca tudo parecia bobo. Então eu tentei ficar calada e ela foi me corroendo... pensei, vou fazer um blog, pensei mesmo. Mas apenas pensei.

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Lá vem a Chuva... é verdade!!!

Tangará da Serra, Dezembro de 2013.


Chegamos bem antes do circo à cidade. Ficamos num hotel e depois fomos para uma casa pertinho de onde ficou o circo.
Para a nossa Alegria, a cidade tem um bosque que é super legal, com parquinho, trilhas com pontes sobre córregos, estátuas de bichos e bichos mesmo! com cutias, tracajás, macacos, tatus, muitos periquitos e tinha uma lenda de uma sucuri. Era muito bom ir lá, para brincar, aprender e fugir do calor.

Ah! O calor que era de rachar o quengo e quando menos se esperava... raios e trovões de uma chuvarada intensa... que podia vir de qualquer lado, não só do lado do mar como no litoral, onde estávamos acostumadas. Para  nosso alívio tínhamos um cachoeira para ir... num sítio chamado Cantinho do Paraíso (vai ter post sobre...)


E uma das coisas que sempre achei que poderiam acabar com essa viagem seria a Flora ficar doente, ou melhor, ela não se adaptar ao clima e ficar sempre gripada ou resfriada. E isso não aconteceu...

Mas em Tangará da Serra Flora ficou doente. O médico disse que era uma virose (não diga!) eu pensei que era uma verminose... e acabou que ela foi pro pronto socorro e para o soro na veia. Ai! Mas Graças à Deus ela sarou e em uma semana ela já estava novinha em folha.

E lá fomos nós curtir a cidade... que para variar tinha um shopping e nele tinha uma praça de brinquedos que por sua vez, tinha um circuito de subir, descer, escorregar, cair em bolinhas... bom, Flora se divertia muito nele, mas não antes de ter alguns atritos com o brinquedo... como subir naquela escada de degraus separados por uma altura quase inatingível e os tuneis que de uma hora para outra se tornaram ameaçadores.

Passamos o Natal e o Ano novo aqui. Com espetáculos para um público tímido, mas que era fiel. E começou a dar em mim uma saudade da minha casa. Mas Flora estava tão bem, chegando aos seus dois aninhos e aprendendo tanto que a vontade foi ficando na cidade... e os palhaços e mágicos desmontando o circo, encaixotando fantasias e equipamentos, enchendo caminhões... e Flora se deu conta (ou prestou atenção?) de que o circo não estava mais alí... "- Cico mamããããe, Cadê???" e antes que eu respondesse já soltava um "ahhhhh" bem comprido cheio de pena e saudade... e eu dizia: Foi para outra cidade!
Mas era como se ela não entendesse (ou estava tentando entender) e no processo todo de desmontagem, toda vez que passava pelo terreno onde o circo esteve... era um lamento... AHHHHhhhhhhhh!