quarta-feira, 30 de abril de 2014

Vem Cá Juína!

Juína, Abril de 2014.



Primeiro passamos uns dias num hotel chamado Cabo de Aço, era perto da rodoviária e foi lá que comecei a escrever este bloguinho.. Foi um bom tempo... de café com leite e pão com margarina no café da manhã... escrevendo na mesa comum a todos os hospedes enquanto Flora dormia. Logo depois fomos morar no circo, pela primeira vez moramos no circo a praça* inteira! Foi maravilhoso e complicado ao mesmo tempo, mas sobrevivemos... : D  

O circo continuava cheio de perigos e tínhamos que estar sempre atentos com Flora. Como sempre subir o mais alto que ela puder era de longe a brincadeira preferida, a segunda era dançar... aí eu levava ela pro picadeiro e alí ela dançava e imitava partes dos números do espetáculo com o papai, comigo, com o Mágico Jack e com Yuri, o trapezista, que veio passar uns dias conosco. Foi no circo, durante este período, que Flora começou a pedalar o seu primeiro velocípede. Também busquei manter ambientes mais acessíveis a Flora, com uma mesinha de trabalho de papelão onde ela pudesse pintar e ter um espaço móvel dentro do circo. 

Mas nem só de circo eram feitas nossas brincadeiras... Em Juína ficamos numa área de eventos bem central e tínhamos como vizinhos um ginásio de esportes, uma biblioteca e um bosque, com direito a araras livres o que era bem legal... só que ele estava um pouco abandonado, então tinha muito lixo por lá... mas é um bosque com um grande potencial. No ginásio pudemos nos familiarizar com o futsal, bom, pelo menos por alguns minutos até ela só querer subir e descer as arquibancadas sozinha ou com amiguinhos instantâneos. Já na biblioteca... ahhh a biblioteca... foi nossa grande amiga, mais que isso uma mãe mesmo! Ela tinha uma brinquedoteca e passamos umas manhãs e tardes por lá... ainda peguei emprestado uns livros** que lia (com carteira de sócia e tudo!!!) nas sonecas de Flora. Outro espaço de brincadeiras era o parquinho da praça central... apesar de alguns brinquedos quebrados era um bom lugar. 

Foi uma cidade muito legal de ficar com Flora, mas já quase perto da mudança a própria Flora já perguntava de outra cidade... 

Agora vou deixar diálogos mamaflorísticos e pérolas que consegui registrar:


Flora vendo os tocos das árvores...

 -O que é isso mamãaaae? 
 -Era uma arvore aí cortaram e...
 -ahhhhhh... Tadinhaaaa

Como explicar isso??? Eu tentei... 

Depois foi com um espaço gramado que não tinha grama...

 -Cadê a Grama mamãaaae? 

A morte tem fascinado  a Flora... em busca de saber ou entender, sei lá! É muito bom poder (ou tentar) explicar o que ela busca através da exploração da cidade. Falando em cidade... 

Flora vendo uma foto:

 - Parquinho mamãaaae?

 - Não... (meio que tentando entender a foto... digo que é uma cidade).

 - Pá botá cico? ( ela quis dizer: Para botar circo? :P)

Super entrosada com o universo circense!!!! e lá fomos nós...


*lugar da cidade onde o circo é montado por um período.

**os livros foram estes: O sofá estampado, Lygia Bojunga Nunes; A revolução dos bichos, George Orwell e Complexo de Cinderela, Colette Dowling. Peguei o Mansfield Park da Jane Austen, mas não consegui ler. 

segunda-feira, 31 de março de 2014

Como dizer Adeus!

Brasnorte, março de 2014.



O circo ficou em frente à Câmara Municipal e o terreno era todo gramado. Foi a cidade em que Flora e eu mais nos apegamos às pessoas. Com as crianças do departamento de cultura passamos tardes divertidíssimas. E o fato de ter crianças entre essas pessoas não é mera coincidência,  ter crianças na vida, deixa muitas pessoas mais sensíveis, mais próximas, quase empáticas! Fomos à segunda aldeia do Mato Grosso, a Cravarí (vai ter post sobre...)

Mas houve quatro crianças mais chegadas, com idades entre 2 e 11 anos... Emile,  Diogo, Giovana e Isa. Eles passaram algumas manhãs, tardes e até espetáculos brincando. Flora e Isa se tornaram amigas, como só crianças de dois anos sabem ser, trocavam sempre de sapatos, arrancavam grama para jogar ma cabeça uma da outra, se penduravam nos mastros , corriam pelo circo, assistiam e imitavam o espetáculo. Mas também brigavam muuuuito. Por brinquedos, por sapatos, por nada!

Então eu fui me deixando levar pelas conversas, pelos almoços e as tardes com as crianças no circo que nem vi o tempo passar... Já era tempo de dizer adeus, mais uma vez e desta vez para Flora não foi tão fácil. A saudade ficou no coraçãozinho dela. Aquela lembrança diária... pergunta sempre, mas cada vez menos (o tempo o senhor dos destinos) Cadê Isa? Chamou, dia desses, uma boneca de Isa... Dá uma dorzinha no coração. Mas lidar com perdas não é o que nós fazemos o tempo todo? Nessa viagem circense há uma lente de aumento em algumas situações e nos sentimentos também.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Desafios, desaforos e solidão com fritas

Campo Novo do Parecis, Janeiro e Fevereiro de 2014.



Passamos mais tempo em Campo Novo do Parecis, mas nem pareceu, foi um período muito bom. A cidade tem um grupo de teatro que se juntou ao circo enquanto estávamos por lá e isso rendeu alguns laços de ternura que com o tempo e a distância foram se dissolvendo... é triste mais é real... não falo de Flora, falo de mim... Flora apenas viajava, sem nenhum esforço, penso eu. Mas realmente não vi, nem percebi ela sentindo falta de pessoas ou de espaços/ambientes, além do circo... por enquanto. Foi aqui nesta cidade que fomos à primeira aldeia, a Bacaval (vai ter post sobre...)

Ficamos, Flora, Pacelli e eu morando perto do circo, na verdade, nossa paisagem da janela, bem no cantinho, era o circo que estava numa grande praça com árvores de Jamelão e outras menores de manga, nos esbaldamos no jamelão. Do outro lado da praça, na esquina, tinha uma padaria que virou um ponto de encontro matinal e vespertino da galera do circo. Em relação à vida artistica de Flora, ela avançou muito nas imitações dos artistas. Ela imita as bailarinas, o pirofagista Hyou Drako, o mágico Jack e os palhaços Espaguete e Ferrugem, além de seguir amando o trapezista Yuri Saulo. Por isso, não por acaso, ela preferia muitas vezes ir ao circo do que ao parquinho.

Diálogo mamafloristico:
-eu: Vamos pro parquinho! (toda feliz para enfatizar a importância)
-Flora: Paquinho fechado mamãããe! (com todo o poder da argumentação)
-eu: hã :o... Está aberto Florita!
-Flora: Fechaaaado mamãããe... Quê cico!
Aí fomos para o circo...

Explico: em Campo Novo do Parecis o parquinho da praça central abria as 16:00 e fechava as 22:00... sempre que ela pedia para ir no parquinho e eu tinha que dizer... a verdade, né?

Mas nem por isso fomos menos no parquinho. .. íamos muito! Tanto no de chão cimentado, quanto no de terra. Ela conseguiu superar o medo de túneis e os parquinhos eram mega completos, para meus padrões. Mas este parquinho trouxe outros desafios para mim também.  Foi lá que ela levou o primeiro tapa de outra criança e  ficou com aquela carinha de "por que?". Eu só pude ver de longe e sair correndo para salvá-la e fugir o mais rápido possível,  levando um desaforo do tamanho "dum elefante" para casa. Eu sei, eu sei,  eu tive culpa! Eu deixei a situação chegar no limite, pensei que elas iriam se entender... crianças se entendem. Que nada! Flora ainda é pequena demais e só abraços e seguidora dedicada, as vezes, outras crianças não aguentam, ficam chateadas e se estiverem numa turminha, ainda mais. Então comecei a ficar mais atenta e à instruir Flora como proceder em alguns casos.

Segundo uma irmã minha, mãe de dois, temos que agir observando duas situações: uma com crianças conhecidas e outra com desconhecidas. Como não havia crianças conhecidas por perto eu  não podia deixar o estramento entre as crianças e Flora se prolongar e interferir rápido. Mas, felizmente, eu não tive mais problemas com isso. Conversei com Flora e disse que quando alguém batesse nela e dissesse que não pode e que se afastasse. Isso resolveu por um tempo.

E a solidão? A minha solidão foi alimentada com batata frita, depois estávamos nós duas comendo fritas e logo depois a solidão me devorou inteira!
E foi assim,  quando me vi, estava tão sozinha e com problemas tão meus e que ninguém mais entenderia que eu não tinha como reclamar,  mas eu reclamava!!!  Pacelli escutava ora pacientemente, ora sem entender nada... e eu sentia que quando saiam palavras da minha boca tudo parecia bobo. Então eu tentei ficar calada e ela foi me corroendo... pensei, vou fazer um blog, pensei mesmo. Mas apenas pensei.

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Lá vem a Chuva... é verdade!!!

Tangará da Serra, Dezembro de 2013.


Chegamos bem antes do circo à cidade. Ficamos num hotel e depois fomos para uma casa pertinho de onde ficou o circo.
Para a nossa Alegria, a cidade tem um bosque que é super legal, com parquinho, trilhas com pontes sobre córregos, estátuas de bichos e bichos mesmo! com cutias, tracajás, macacos, tatus, muitos periquitos e tinha uma lenda de uma sucuri. Era muito bom ir lá, para brincar, aprender e fugir do calor.

Ah! O calor que era de rachar o quengo e quando menos se esperava... raios e trovões de uma chuvarada intensa... que podia vir de qualquer lado, não só do lado do mar como no litoral, onde estávamos acostumadas. Para  nosso alívio tínhamos um cachoeira para ir... num sítio chamado Cantinho do Paraíso (vai ter post sobre...)


E uma das coisas que sempre achei que poderiam acabar com essa viagem seria a Flora ficar doente, ou melhor, ela não se adaptar ao clima e ficar sempre gripada ou resfriada. E isso não aconteceu...

Mas em Tangará da Serra Flora ficou doente. O médico disse que era uma virose (não diga!) eu pensei que era uma verminose... e acabou que ela foi pro pronto socorro e para o soro na veia. Ai! Mas Graças à Deus ela sarou e em uma semana ela já estava novinha em folha.

E lá fomos nós curtir a cidade... que para variar tinha um shopping e nele tinha uma praça de brinquedos que por sua vez, tinha um circuito de subir, descer, escorregar, cair em bolinhas... bom, Flora se divertia muito nele, mas não antes de ter alguns atritos com o brinquedo... como subir naquela escada de degraus separados por uma altura quase inatingível e os tuneis que de uma hora para outra se tornaram ameaçadores.

Passamos o Natal e o Ano novo aqui. Com espetáculos para um público tímido, mas que era fiel. E começou a dar em mim uma saudade da minha casa. Mas Flora estava tão bem, chegando aos seus dois aninhos e aprendendo tanto que a vontade foi ficando na cidade... e os palhaços e mágicos desmontando o circo, encaixotando fantasias e equipamentos, enchendo caminhões... e Flora se deu conta (ou prestou atenção?) de que o circo não estava mais alí... "- Cico mamããããe, Cadê???" e antes que eu respondesse já soltava um "ahhhhh" bem comprido cheio de pena e saudade... e eu dizia: Foi para outra cidade!
Mas era como se ela não entendesse (ou estava tentando entender) e no processo todo de desmontagem, toda vez que passava pelo terreno onde o circo esteve... era um lamento... AHHHHhhhhhhhh!








sábado, 30 de novembro de 2013

A Cidade Parque

Campo Verde, Novembro de 2013


Tenho pouco para dizer porque as atividades foram intensas...

Foi assim:

O circo ficou em frente ao parque das Araras que é lindo, tem parquinho para as crianças,  tem lago com ponte e peixes, uma maravilha.  Além disso,  a cidade é bem organizada e só por causa dos parquinhos eu até moraria lá. Flora amou! Nós podíamos escolher qual parque iríamos antes do show todo dia. E o show estava deixando Flora cada vez mais sonhadora e imitona. Ela gostava especialmente do trapézio.

Nesta cidade ficamos numa casa com jardim e desbravá-lo foi uma das atividades favoritos de Flora. O circo continuava cheio de perigos eu era e ainda sou uma mãe helicóptero, mesmo que não querendo. :[


quinta-feira, 31 de outubro de 2013

E lá vamos nós...

Rondonópolis, Outubro de 2013,





Ficamos em Primavera do Leste quase sem se sentir... foi pouco tempo.Fomos para Rondonópolis de ônibus. Flora dormiu a viagem quase toda. A cidade é bem maior que a última e o circo ficou no centro dela. Ficamos hospedados num hotel bem aconchegante.  Do limbo ao céu... aparentemente!











Lá compramos o carrinho de Flora e pudemos passear mais tranquilamente. Na verdade, nós passeamos só pelo bairro mesmo e não  achamos parquinhos ou praças, então nossos dias se passaram entre o quarto de hotel,  andando pelas ruas e supermercados e o circo... assistindo à bem muitos espetáculos. Outro registro importante é que estava fazendo um calorão grande mesmo! E muitas vezes caia uma tempestade do nada, assim ficamos com poucas possibilidades de desbravar a cidade de carrinho.













Porém,  foi em Rondonópolis que fomos à primeira cachoeira no Mato Grosso.
Vimos Joões de barro, araras e a natureza quase que livre. Flora tomou muito banho, dormiu entre as árvores no chão e ainda brincou de parquinho, uma delícia! E também fomos no Parque das Águas, um parque à beira do rio vermelho.

















Passamos o dia das crianças sem sobressaltos,  Flora ainda era bem pequena para ser seduzida por propagandas, que nem víamos na tv, e não tinha amiguinhos para querer imitar. Mesmo assim,  percebi que há uma dificuldade das pessoas,  inclusive eu, de passar essa data sem comprar alguma "coisa material" para a criança. Mas, como eu estava tentando diminuir a bagagem, isto estava pautando nossas compras e disse isto para quem quis dar presente pra Flora. Assim, compramos massinha e ganhamos livros... foi difícil segurar o Pacelli que queria comprar uma loja inteira de brinquedos!  Mas a busca é por colecionar momentos felizes e não coisas.



















segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Bye bye Natal


Setembro de 2013...





Exatamente três meses depois da partida do circo, resolvemos ir também. Estávamos morrendo de saudades... Pacelli fazia uma falta imensa. Então nos despedimos dos parentes todos de Natal e fomos, Flora e eu, para a nossa primeira viagem de avião juntas, a primeira dela.

Chegamos em Cuiabá já era noite e estava um clima agradável, totalmente atípico, todos falam. Desci do avião com Flora no colo... quando olhei para as vidraças do aeroporto, lá estava Pacelli balançando os braços pra cima: Olha Flora, o papai! Ela sorriu e disse papai uma zilhão de vezes até chegarmos no desembarque... foi uma luta pegar as malas, ela queria o papai!
Então nos encontramos,  beijos e abraços de três. Flora ficou tímida, não resistiu o colo do papai, mas ficou com o dedinho indicador na boca um bom tempo e Pacelli foi quebrando o gelo aos poucos ou foi ela que foi se entregando às lembranças?





No outro dia bem cedo já estávamos indo para Primavera do Leste. Fomos de ônibus. Foi bem tranquilo a não ser por Flora querer dar não sei quantas voltas dentro do bus. Quando ela dormiu a gente até conseguiu ver um filme sobre o mestre do Bruce Lee.
Já em Primavera do Leste que é uma cidade pequena do Mato Grosso,  mas bem organizada. Gostei dela, embora termos ficado pouco tempo. Dormíamos num alojamento,  na verdade era uma sala de dança,  tinha um espelhão de ponta à ponta da sala e Flora se divertiu muito com ele. Além disso, Pacelli já havia avisado e pelo menos Flora estava preparada, mas eu passei um frrrrio... uma sensação térmica de 15ºC... Sério!!!












E no circo, ein???
Estava bonito! Flora corria de uma lado a outro, caia, levantava, chorava (as vezes não só pra mostrar que podia fazer) e continuava... subia e descia das cordas, das arquibancadas, dos mastros e eu atrás dela feito sombra.







Além disso:

  • O alojamento ficava à 1,2km do circo e estávamos sem carrinho. Resultado: tivemos que pegar táxi algumas vezes. 
  • O banheiro era à uns 300 m do quarto. Segura peão!

Era como se estivéssemos morando num palácio!!!